Pode parecer que não, mas existe um armazém nos arredores de Lisboa onde tudo isto acontece...
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Sábado, 5 de Abril de 2008
Uma questão de status

Ao lado do Armazém 6 existe um outro armazém que é o Armazém 7.
Neste, estão armazenados os mais variados materiais eléctricos, antenas, fios, cabos e interminávéis caixas que nunca descobri o que contêm.
É um armazém enorme onde se perdem de vista as prateleiras metálicas empoeiradas.
Aqui trabalha o Torto, que na realidade apenas tem a função de lá estar, nada mais.
Oito horas por dia ganhando o salário mínimo nacional.
Mas o Torto tem algo que todas as "armazenadas" invejam:
O acesso à internet, sem restrições!
O computador no Armazém 7 está situado numa pequena sala de 3 metros quadrados onde mal cabem três pessoas.
O Torto é um gajo porreiro e deixa as "armazenadas" lá irem à hora de almoço.
Mas nem todas as "armazenadas".
Nunca percebi qual o critério, mas julgo que sejam aquelas que conseguem ser mais convincentes quando o chamam de "Direito".
À hora de almoço, algumas engolem o conteúdo dos seus tupperwares vertiginosamente, mastigando e gritando:
"Rápido... Vamos ao Torto!"
Por vezes, dentro da hora de expediente, vê-se um movimento suspeito de entrada e saída:
- Foram ao Torto...
Regressam apressadas, com risinhos e muito bem dispostas.
Mal entram no Armazém 6, rapidamente readquirem uma postura séria e profissional.
"Não, ninguém sabe nem desconfia o que fomos fazer"
As Eleitas, que têm direito a ir ao Torto, recusam-se a partilhar o seu segredo.
Até porque a pequena sala não comporta muitos...
É o Lobby do Torto.
No entanto, são já demasiadas, porque aquela sala fica literalmente apinhada, com várias "armazenadas" que se atropelam para um lugar onde se consiga ver o monitor. Gritam e discutem energicamente:
"Agora é a minha vez!!!"
"Nem penses!!! Eu cheguei primeiro e tu ontem já cá estavas quando eu cheguei!! Vá minha! Baza daqui!".
É um verdadeiro pandemónio em 3 metros quadrados.
O Torto assiste paciente, é um gajo porreiro.
Mas de uma maneira ou de outra lá conseguem organizar-se sem grandes ressentimentos.
Para alguém que chegue de novo ao Armazém 6, tudo isto parece ter um toque misterioso.
Afinal de contas, quem está de fora, o que vê é uma pressa enorme em ir ao armazém do lado, a ida preocupada, o regresso sorridente e, à hora de almoço, uma ou outra "armazenda" de trombas.
Pensará : "Mas que irão lá fazer? E quem é aquele Torto? O que faz? O que existe no Armazém7?"
Não é fácil gerir a confusão que isto pode causar.
A ida ao Torto é, de algum modo, uma questão que incomoda a quem não sabe o que lá existe.
A única solução é ter esperança que um dia alguém nos convide:
"Vou ao Torto, queres vir?"
De vez em quando isso acontece e é por isso que a lotação está à beira do esgotamento.
Um convite para uma ida ao Torto é portanto uma oportunidade de arranjar novos amigos.
Um convite para uma ida ao Torto é um elogio ao ego.
Um convite para uma ida ao Torto é, afinal, uma boa oportunidade de ver e rever todos os mails "forward" que o Torto recebe dos amigos dele.
Um convite para uma ida ao Torto é um evento cultural, onde todos se divertem com as anedotas diárias.
Um convite para uma ida ao Torto é um salto no status no Armazém 6.

publicado por bruaca às 20:17
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